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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

“Há uma tendência para psiquiatrizar a sociedade"


José Luís Pio Abreu

“Há uma tendência para psiquiatrizar a sociedade.
  E isso é tremendo!”

Diz que uma pessoa triste, não está obrigatoriamente deprimida e que a birra de uma criança não tem de ser um comportamento desviante! E chama à atenção para a tendência de psiquiatrizar a sociedade, rotulando e corrigindo apressadamente qualquer desvio. Defende que dizer doenças comportamentais em vez de doenças mentais ajudaria a compreendermos melhor o que são e explica porquê. 

Valoriza a relação interpessoal, mais do que o sucesso profissional…que é como quem diz, o amor é o mais importante. Afirma que as pessoas normais é que são muito complicadas! E com isto arranca-nos logo um sorriso de cumplicidade para a conversa. Mas diz mais. Diz que a desinstitucionalização de doentes mentais e o encerramento dos hospitais psiquiátricos, em curso em Portugal, seria maravilhoso se houvesse recursos para o fazer, até porque com o encerramento destas unidades hospitalares, alguns doentes tornaram-se sem-abrigo. Fala-nos de como “uma pessoa diagnosticada com doença mental perde graus de liberdade”.

Aponta “medicamentos órfãos”, que ninguém quer promover, mas que são mais eficazes do que os mais caros. Aborda a solidão dos mais velhos e as relações virtuais que proliferam pela internet. Diz que passamos a vida a seduzir e a representar e que é muito difícil homens e mulheres compreenderem-se, apesar de procurarem a sincronização. O seu próximo livro, aprofundará este tema fascinante, esse “bailado que existe entre as pessoas” e que pede acertos de muitos ritmos.

No decorrer da conversa nota-se-lhe uma atenção genuína pelo ser humano. E não aquela atenção bem treinada de quem tem por profissão ouvir os outros, há mais de 40 anos. É psiquiatra e professor, tem vários livros publicados, académicos e outros mais destinados ao público em geral, como é o caso de “Como Tornar-se Doente Mental”, manual que serviu de mote a esta entrevista. De resto, preparem-se para muitos paradoxos e para a necessidade de os superar. E como Pio de Abreu sugere, confiemos na inteligência humana para o fazer.

A entrevista pode ser lida AQUI